L das Horas | Cancro da Mama | Musculação |

capa_l_das_horas_cancro_mama_quimoterapia_hospital_mulher_musculaçaoNome : L das Horas 😀
Idade : 29
Altura : 1.72
Peso actual : 62kg
Peso minimo : 58kg

1. Um pequeno resumo sobre os teus hábitos saudáveis.
Desde cedo que me iniciei na prática desportiva. No 5º ano entrei para o desporto escolar e um ano mais tarde federei-me no SCV (Sport Club Vianense) como jogadora de vólei. Quando cheguei a juvenil (10º ano) resolvi deixar a equipa, coisa que me arrependo um pouco. Paralelamente ao vólei, frequentei um grupo folclórico minhoto (é agora que se podem rir) mais ou menos até hoje, se bem que estou um pouco afastada devido aos problemas do último ano. E sim, folclore minhoto é desporto, que 1h a dançar seguida não é para todos (vá, todos a pesquisar videos no youtube).
A 1ª vez que entrei num ginásio foi no 2º ano da faculdade… sentia falta do exercício que fazia em educação física e resolvi entrar com as minhas amigas. Fazíamos aulas de GAP, aeróbica, localizada, step… 2 vezes por semana, no ginásio da universidade, bem baratinho. Quando vim para Lisboa trabalhar (já passaram 5 anos) foi uma das coisas que quis manter e inscrevi-me no ginásio, que ainda hoje frequento.
Sempre tive uma alimentação relativamente saudável (obrigada à minha mãe) e sempre fui magra, nunca precisei de me preocupar muito com o peso. Quanto à saúde, 28 anos saudáveis!
2. Quando é que descobriste que não estavas bem ?
Faz precisamente 1 ano, este mês, que tive suspeitas de poder ter um tumor maligno na mama. Tinha sentido uma “bolinha” por baixo da mama e deixei andar 2 meses. Quando resolvi fazer a ecografia, na esperança de ser “mais um”, causei o caos no serviço do hospital. Fizeram-me logo 2 mamografias (nunca tinha feito), empatei o serviço todo e demorei muito mais tempo que o que seria de esperar. Ficou a suspeita, fiquei de voltar 2 dias depois para mostrar os resultados à minha ginecologista.
Quando saí tinha o meu namorado à espera. com cara de aflito (por ter demorado tanto) e quando o vi caíram-me as primeiras lágrimas. Ele serenou-me e fomos para o Rock in Rio. 😛l2
Da ginecologista passei a um cirurgião, do cirurgião passei à Unidade de Mama do Hospital de São José. A minha Mãe foi comigo à 1ª consulta (ainda sem certezas de nada). O médico pôs-nos o pior cenário “em cima da mesa”. Tumor malígno, mastectomia, quimioterapia, radioterapia, imunoterapia, hormonoterapia, menopausa precoce ou esterilidade, reconstrução… Ouvi tudo com atenção e muita calma. Olhei para a minha Mãe e ela estava a chorar. A única coisa que lhe disse foi: “Se vens para chorar, prefiro vir sozinha”. Fui tão rude! Agora rio-me disto!!
Depois desta consulta fiz uma ressonância magnética e três biopsias. Ao fim de uma semana (quando deviam ser 3) o médico ligou-me para ir falar com ele. Não perguntei nada ao telefone, mas tive a minha confirmação. Os meus pais tinham ido de férias para Espanha e não lhes contei. Aliás, menti, disse que não tinha os resultados quando já sabia de tudo.
Lá fui com o meu namorado (namorávamos há pouco mais de 1 ano…) falar com o médico. A notícia foi-nos dada numa sala improvisada, sentados numa maca, pois não havia cadeiras. Sei hoje que ele passou mal e nem conseguiu abrir a boca para dizer nada. Eu tinha a certeza que o que tinha era mau e fiquei muito contente com o que ouvi. Três boas notícias: o tumor estava circunscrito, os gânglios não estavam afetados e por isso a equipa achou que a mastectomia não era necessária. Suspirei de alívio. Ainda assim, com esta idade, os tratamentos iam ser mais que muitos.
Desde esse dia, que a psicóloga (que também esteve presente na conversa) me disse: “Você consegue ver o lado positivo das coisas” – e assim tem sido até hoje.
3. Quanto à alimentação, o que mudou ?
Durante os tratamentos de quimioterapia, os níveis de glóbulos vermelhos, brancos e plaquetas têm de estar aceitáveis para poder fazer as sessões. Foi-me recomendado pelo oncologista fazer uma refeição variada (já fazia), com maior incidência em peixe e carnes brancas (também já fazia), pois a digestão fica mais difícil no decorrer dos tratamentos. Só fui proibida de comer: marisco 😦 e coisas cruas e/ou vindas da terra e sem casca (tipo alface, tomate, beterraba, sushi 😦 ) Foram 6 meses sem poder comer isso, mas agora já voltou tudo ao normal.

 

 

Devo ser diferente de toda a gente, mas a quimioterapia trouxe-me muitos desejos e vontade de comer! Comecei a comer queijo, que sempre abominei… Não ganhei muito peso, os 2/3 kg a mais acho que vieram com a retenção de líquidos.
Por tudo isto, decidi ser mais regrada na alimentação (com ajuda das tuas receitas eheheh) e tenho resultados à vista! Panquecas, papas de aveia, sumos com vegetais, frutos secos, etc agora fazem parte da minha alimentação diária.
4. De onde partiu o interesse pela musculação ?
Esta resposta é engraçada. Basicamente, inscrevi-me na musculação porque o ginásio baixou o preço da mensalidade e a diferença para o meu pacote (só de aulas) passou a ser de 4.5€… Decidi experimentar. Ou seja,desde dezembro de 2013 que adoro musculação Nesta altura comecei a procurar coisas sobre musculação e encontrei o teu blog!!! Considero-te uma grande impulsionadora desta minha vida da musculação.
5. Com que frequência treinas ? Tens alguma limitação na execução dos exercícios ?
Durante os tratamentos treinava 2/3 vezes por semana, sempre na sala de musculação ou na aula de bike, apenas l4com restrições ao nível do peito/braço nos 2 meses pós cirurgia. Depois de cada sessão de quimio parava uma semana e nas duas seguintes aproveitava ao máximo (fazia quimio de 3 em 3 semanas).
Neste momento (3 meses depois do final da quimio), tenho algumas limitações a nível cardíaco, tenho de controlar a minha frequência cardíaca para não deixar subir muito. Treino 4/5 vezes por semana, intercalando a musculação com as aulas de bike e pilates (que não gosto muito, mas que me tem ajudado a recuperar a pouca flexibilidade que tinha e perdi). Os exercícios que mais gosto são da parte superior do corpo. Tudo o que seja braços, costas e peito dá-me muito prazer 😀
Sair do trabalho e não ir para o ginásio é-me estranho. Dá-me mesmo gozo treinar e sinto falta quando não vou. Acho que o facto do meu namorado ser instrutor de fitness também me fez querer saber mais sobre o assunto.
6. Qual foi a reacção dos teus familiares e amigos ?
A minha Mãe já contei. Tanto ela como o meu Pai ficaram imensamente preocupados (durante toda a fase de tratamentos) pois como não moram em Lisboa, não me viam ao vivo e ficavam stressados com isso. Vieram cá muitas vezes durante o último ano. O meu Pai agora até cozinha (coisa que NUNCA fez, quando sabe que vou a casa). Acho que a maior parte das pessoas reagiu pior que eu. Algumas pessoas nunca chegaram a tocar no assunto, mas, os amigos a sério, estiveram sempre presentes, nem que fosse com mensagens. Cada pessoa tem a sua maneira de reagir. A minha colega de casa foi 5* e até me comprava gordices para eu comer depois dos tratamentos.
7. Esta doença tem trazido limitações no teu dia a dia ?
Não posso dizer que tive limitações. Durante a quimioterapia, trabalhei sempre, frequentei o ginásio… tudo normal até ao fim, só que sem cabelo (mas com baton!).
Depois de terminados os tratamentos tive uma quebra e durante 2 meses estava mesmo cansada, nem um lanço de escadas conseguia subir sem parar a meio. Ia para a radioterapia todos os dias (durante 6 semanas) e apanhava metro para andar apenas uma paragem pois a pé cl5ansava-me muito. Parei o ginásio entre Fevereiro e Março deste ano. Foi a única fase em que me senti mal e feia, sem pestanas e sobrancelhas e com as unhas negras. A auto estima ficou muito reduzida, já não podia com os turbantes e o lápis das sobrancelhas.
No dia em que acabei a radioterapia comecei o ginásio: no 1 de abril, parecia mentira!
Acho que ainda há muitos mitos no que toca aos tratamentos do cancro e suas consequências. Houve logo quem dissesse que ia engordar, outros que ia emagrecer muito, ou ficar inchada e que não ia conseguir fazer desporto, etc. Mas continuo a dizer que cada organismo reaje de maneira diferente aos tratamentos, no entanto, o psicológico conta muuuuuuito!
8. O que te faz continuar ?  O que os médicos têm dito sobre a tua evolução ?
Os médicos apelidaram-me de “caso modelo”. E eu fiquei super contente. 😀 Continuar com os mesmo objetivos de vida fez toda a diferença. Tinha tanto trabalho que até me esquecia que estava nesta situação. Devia ter levado uns açoites quando me esqueci de um tratamento… estava tão embrenhada no trabalho que não dei pelas semanas a passar. Posso dizer que trabalho + ginásio = cura 

 

 

Depois de tudo isto acho que relativizo mais os problemas. Tudo tem solução, nem adianta stressar e aplico isto a tudo na vida.
As previsões são boas, já eram, pois os tratamentos foram meramente preventivos.
9. Qual é a mensagem que queres passar a todas as meninas que estão a passar pela mesma situação ?
O cancro não é um bicho de 7 cabeças. Os tratamentos são chatos, mas há sempre coisas boas onde nos podemos focar. Mente ocupada ajuda na recuperação. Ficar sem cabelo pode parecer a pior coisa do mundo (eu achava isso) mas nem é. Confesso que me custou andar carequinha no balneário do ginásio (porque toda a gente olha, é normal) mas à 3ª vez já reconhecem e torna-se normal.
10. Agradecimentos
Agradecimentos são para os que me aturaram nestes meses todos, a minha housemate e o meu namorado, os meus pais, o meu chefe, mesmo boss, que me deixou faltar ao trabalho para fazer mil tratamentos e nunca me pagou menos por isso, a todos os que enviaram bens alimentares caseiros para ver se ajudavam na recuperação, às minhas primas e amigas que estavam sempre a querer saber de mim, ao meu cirurgião que é um charme e ao meu treinador (do GCP) a paciência que teve para me estar sempre a adaptar o plano de treino para me motivar.
11. Redes sociais onde podemos entrar em contacto contigo/email
Qualquer pessoa pode entrar em contacto comigo, tenho todo o gosto em ajudar no que puder.
Blog: clica aqui
Email: 1632horas@gmail.com
Instagram: @l_das_horas
Obrigada L ! 😀