O Parto – Welcome Baby Indio

Em casa

Um noite igual a tantas outras, depois do jantar lá estava eu a queixar-me de cansaço e sono. Nada de novo por aqui. Fui para a cama, adormeci logo, e passado sensivelmente 30 minutos acordo de uma forma brusca, como se algo estivesse a puxar-me para sair de lá. Super estranho. E foi nesse exato momento que senti um líquido um pouco ardente a sair. A partir daqui, senti um desconforto TOTAL que nem sei explicar! D13295108_877246442385204_251485959_nores, dores, dores, gemidos de aflição, fraquezas, respiração descontrolada… e por aí adiante. Isto às 23 h e tal da noite. Passado um tempo resolvi tomar um banho para ver se acalmava, mas não. Não acalmou nada. As dores continuavam, e claro, o meu Indiozinho continuava aos pontapés e cabeçadas dolorosas. As  contrações logo no início apareciam de sete em sete minutos. E juro-vos que não passou pela minha cabeça que estava a entrar em trabalho de parto… Ya!

Minutos depois, e já em desespero, chamei o meu marido e pedi que fizesse um chá. O chá também não resolveu nada. Era bom era… Ao longo da noite lá andava eu entre a cama e a sanita. Ah pois é, uma vontade enorme de fazer necessidades e não conseguir 😦 Na cama? Outro pesadelo! Dores que deixavam-me completamente imobilizada. Os piores 20 segundos da minha vida, dentro daquele intervalo de 7 minutos.

De manhã

Às 6h da manhã ligo à minha Mãe e diz-me para ir imediatamente ao hospital. O meu marido também fartou-se de dizer a mesma coisa, mas como já vos tinha dito, não tinha mesmo a noção que estava a ter as verdadeiras contracções. Entretanto, lá fui eu tomar mais um banho e nada…

Como já não estava a aguentar o meu marido ligou para o hospital e explicou o que se passava. Falei com a enfermeira mas no meio da conversa fiquei uns segundos (que mais pareciam uma eternidade) sem falar. Tudo por causa das dores.

A enfermeira recomendou a toma do paracetamol e se não melhorasse dentro de 45 minutos que voltasse a ligar para poder ir logo à maternidade . Okay, tomei o paracetamol, passaram os 45 minutos, e lá fui eu lavar a loiça que deixei na noite anterior, arrumar algumas coisinhas do Baby Indio, varrer o chão etc… Enquanto fazia estas tarefas fui engolindo as dores. Isto tudo para que o meu marido não ouvisse o meu sofrimento. Siim, fui parvinha aqui, mas pronto. Para perder mais tempo fui descongelar uma parte da cachupa para dar-me forças na hora do parto. Eu aqui ainda estava em negação, não queria acreditar que tinha chegado o dia! Descongelei, aqueci a cachupa e deixei ficar na bancada…“Não aguento! Vamos!!”.

Maternidade

Sem dúvidas a pior viagem da minha vida. Muitaaaaas contracções até que lá chegasse. Dor vai, dor vem… uma aflição e desconforto de outro mundo!

Chegámos à maternidade e lá continuava eu com as dores e para piorar, o corrimento tinha aumentado. Sentada não conseguia estar, portanto andava de um lado para o outro de biquinhos de pés, com as mãos apoiadas no meu marido ou nas paredes. É verdade, não tinha posição e já estava a ficar bem frustrada!

Na sala de espera estavam umas quantas grávidas mas a única com contracções era mesmo eu. Fui umas quantas vezes ao WC por causa do líquido e também por ter muitaa vontade de fazer o #2, mas pronto, não conseguia 😦

Joana por aqui… 20160527_133148

Não me lembro bem desta parte mas acho que tiraram-me o sangue e ofereceram-me a bombinha de ar para que as dores diminuissem. Entretanto levaram-me a mim e ao meu marido para um quarto onde iria ser analisada mais uma vez. Joana precisamos de saber com quantos centimetros é que estás, mas para isso vou ter de inserir um ou dois dedos. Eu sei que só nos conhecemos agora e que pode ser desconfortável para ti mas é muito importante este teste”. Eu só abanava a cabeça porque estava a morrer de dores. Sem comentários para este teste, doeu mesmo!  Três centimetros. Tanta dor e ainda só está nos 3 cm?
Já em casa dizia ao meu marido que iria ficar muitoooo chateada se tivesse que voltar para casa. E não é que a parteira veio com a história do “ir para casa”? Eu disse logo que não queria. 3 cm é muito pouco, mas podes passar dos 3 aos 8cm em pouco tempo, ou não, nunca se sabe blá blá blá… Mas sempre muito carinhosa e compreensiva. E pronto já em desespero comecei a chorar, ainda mais, e a explicar que se fosse para casa iria ficar maluca por estar num país sem familiares por perto, e que na maternidade ao menos posso contar com o apoio delas… Pronto, é claro que deixaram-me ficar. Ofereceram-me lenços e abraços para acalmar. Gostei! Como podem ver o dia não estava a correr nada bem…

Trouxeram-nos bebidas e sandes. Fiquei muito contente, mas já sabia que aquela mistura não iria dar certo… Dores e mais doooores. Mas desta vez passei a usar aquela bombinha que podem ver na imagem. Dá um alivio e uma “moca” mesmo nice, por minutos não sinto dores e tenho um pouco de paz. Tentei usar o minimo possível porque se com 3 cm estava sem forças, nem queria imaginar mais tarde!

A parteira sempre MUITO ATENCIOSA a perguntar por mim e a acalmar-me. Joana, gostarias de dar à luz na banheira? Sim. O objetivo era esse, dar à luz na banheira por ser menos doloroso. Banheira pronta. E no quarto estava a parteira atenciosa, a estudante muito querida e o meu marido. Fui ao WC fazer necessidades e andava ali com a bombinha para me ajudar nos momentos mais criticos. O mau estar nesta fase aumentava cada vez mais e foi aí que as parteiras foram ter comigo ao wc para ver a minha pulsação e os batimentos do Indio. Tudo ok. Peço desculpa, este momento é muito embaraçoso para mim mas estou a fazer o #2 ao pé de vocês. Não há problema Joana, é normal. Podes fazer tudo o que quiseres inclusive na banheira. Tasse bem então. Passado uns segundos e ainda na sanita. Vou vomitar! Não sei como fizeram mas apareceu o balde para eu vomitar mesmo na hora certa. Uiii, que alivio! Aposto que foi também por causa daquela sandes toda cansada lol.20160527_133227

Entrei na banheira e fiquei por lá, com as minhas contracções e sempre com o apoio do meu marido. Muito sinceramente não aliviou muito e fiquei um pouco 😮

Mesmo dentro da banheira verificavam depois das contracções os nossos batimentos e essas coisas todas. Vomitei mais umas vezes (para dentro do balde). Boa Joana! Estás no caminho certo, muito bem! Muita choradeira pelo meio e os meus gemidos/gritos estavam cada vez mais potentes… Chega a uma parte na qual eu digo que quero sair da banheira. Está muito calor, não aguento!! Vocês não imaginam o dilema que foi para poder sair dali. Não tinha mesmo forças e estava toooooooooda mole. Joana, Joana… Segura aqui. Nós estamos aqui! Não sei bem como mas fui para uma outra cama, e lá continuaram a medir os nossos batimentos. As dores aqui estavam cada vez piores (sim estou sempre a dizer isto lol, mas é verdade!). Quero EPIDURAL ou outra droga qualquer. Eu ali a sofrer e a medica e explicar as opções que tinha à disposição. Blá blá blá…

Do nada, começo a puxar por impulso. E uma das parteiras pergunta: Joana, estás a puxar? Eu não respondi, não tinha forças para responder. Fechei os olhos, comecei a gemer, a gritar e a puxar. Pronto, lá viram que estava mesmo na hora da acção. E agora para levantar-me da cama? Aiii, lol outro desafio. Eu só me lembro de ver pessoas de um lado para o outro a preparar outra cama para transferirem-me para a outra sala de parto. Foi tudo muitoooo rápido. Só me lembro de estar na (outra) cama e passar pelo corredor da maternidade aos gritos e com lágrimas. e também de ver o meu marido todo preocupado (uma verdadeira cena estilo Dr House). Cheguei à sala do parto e perguntei pela epidural. Joana, já está muito tarde para a epidural. E eu, AHHH!

Fiquei 40 minutos a puxar. E nesta fase o meu filho tinha mesmo de nascer porque os batimentos dele estavam a diminuir 😦 Estava tão aflita que até quando não tinha contracções puxava. Joana, não precisas gritar, concentra a energia toda como se estivesses a fazer necessidades. Foi o que fiz, e recomendo. Sofrer, “calada”. E pronto, lá puxei sem escândalo de novela hihihihih. As minhas pernas não paravam de tremer e no fundo só pensava, o bebé vai sair agoraaaaaaa ou não me chamo Joana! “Estamos a ver a cabeça, força Joana!”. Nesta parte só me lembro de ver o meu marido todo nervoso e diz isto, “Aww shit i’m going to be a dad”. Eu achei super engraçado, mas não consegui rir looool. No meio daquela confusão ainda tive tempo de analisar o que ele disse: Como é que ele está a dizer isso? Então não sabe para o que veio? 😛 Puxei, puxei puxei, e aparece o meu Indio, todo roxinho e lindão. Logo de seguida o Pai cortou o cordão umbilical e o Indio veio para o meu peito , e enquanto eu chorava só dizia, “Meu filho, meu filho, meu filho…”.  ❤ Não há explicação possível!

39 semanas e 4 dias. No total foram 18 horas desde a primeira contracção até dar à luz. Fui cozida pelo médico durante 20 minutos e até hoje mal posso andar 😦 Sangrei bastante mesmo aqui em casa. A recuperação tem sido lenta, ainda não consegui dormir em condições, e nem devo tão cedo mas tudo bem. Já voltei a fazer dieta, com especial atenção aos alimentos que ajudam na produção do leite materno. A minha paciência está limitada, tenho alguns momentos em que fico com a cara bem trancada mas segundo as médicas é completamente normal nesta fase. O cansaço é enorme, mas tem vindo a melhorar. O que me deixa 😦 são as dores lá em baixo, melhoraram bastante mas ainda estou limitada. Sentar ou levantar-me da cama é um pouco doloroso. E mesmo andar durante algum tempo é cansativo.

Em relação à maternidade não tenho motivos de queixa, trataram-nos muito bem e ficámos por lá durante dois dias. O meu marido passou a noite no mesmo quarto que nós sem problema nenhum. Adorei! Sofri muitoooo mas como algumas leitoras aqui do Blog disseram, e muito bem, vale a pena ♥ 

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Beijinhos para todas as mães e boa gestação para as futuras !